terça-feira, 17 de julho de 2018

O inevitável

O tempo passou...

Passou pra você e pra mim.
Passou para o mundo todo. Passou devastando tudo o que a minha mente construiu!


Te ver sorrir, te ouvir cantar, te confortar na dor, te fazer carinho deitada no meu ombro viajando no Expresso Alegria pra qualquer canto do mundo.

Coisas que nunca foram palpáveis, mas que eram esteio em minha vida!

O sorriso que cabia perfeitamente dentro das minhas razões por ser feliz, hoje me arrancou uma lágrima. E isso infelizmente aconteceria cedo ou tarde.

É notório o quanto envelheci no último ano.

Engoli todos os meus planos com um copo de água suja.

O mais engraçado - se assim posso denominar esta situação - é que o mês de maio se tornou um mês tão ruim pra mim que me sinto anestesiado. A lágrima foi uma reação automática para o inevitável.
Tudo o que eu vinha sofrendo nos últimos dias se confirmou hoje...

E amanhã será mais uma data de despedidas, e depois também, e depois...


É mais um dos presentes que a porra do Outono tem me dado desde que tudo desabou!
Obrigado, destino!

Obrigado, vida!


"Por isso me recuso a deixar-te partir assim
Feito poeira nos bancos
Quando a chuva vem e canta seu desespero
Sobre esse inferno em que, morto,
Fevereiro, se fez perecer
Não aceito Lucien,
Não me peça pra te deixar partir
Ou ao menos não me deixa aqui feito flor triste...
Não me deixa...
Não me deixa aqui se sei que não vens..."

terça-feira, 12 de junho de 2018

Nosso amanhã

"O céu mais uma vez está surpreendentemente fantástico. 
Contrasta com as luzes ao fundo e me permite sair da zona de conforto e não me limitar a ter as respostas que me agradam,  mas sim as respostas que realmente valem. 
Este é aquele momento da vida em que paro pra pensar em tudo o que deixei para trás.

Pensar nos olhares trocados em vão, nos gestos que diziam tudo e nada ao mesmo tempo. Nos leves toques das pontas dos dedos no rosto enquanto a lágrima caía sem cessar. 
Pensar em cada passo em falso que fazia com que o chão sumisse dos meus pés.

Há algum tempo atrás eu achava que tinha todas as respostas para todos os meus problemas. Hoje eu sequer sei reagir ao seu sorriso. 
Como é linda a cidade na direção da sua morada
Como é tranquila a longa noite preenchida pela luz da Lua
Como é maravilhosa aquela luz azul que um diade forma indiretame proporcionou sentir o que sinto agora!!!

não descanso dias planejando o que gosto de chamar de 'nosso amanhã', mas nem o cansaço me esgota, pois em sua aparência leve encontro refúgio para as minhas dores..."



E foi assim que eu vim parar aqui. Não sei e nem quero voltar. Não espero recompensa. Apenas me basta um sorriso e um olhar como o primeiro que me presenteou... 
Isso me trará forças pra seguir lutando pelo "nosso amanhã" sem fim...


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Pedra dormente

Voltando de mais uma das inúmeras consultas, um trânsito monstruoso daqueles que só existe em São Paulo. Era o início da noite mais longa do ano e eu não sabia o que esperar dos próximos minutos que seriam um divisor de águas na minha vida.

Eu estava tão bem. Preparado para tudo o que viesse de encontro a mim. Firme, forte, exalando astúcia e esbanjando coragem.


Nada mais me tiraria a paz. Nada mais me derrubaria. Havia destruído as correntes invisíveis que me prendiam ao fruto da minha imaginação que me remetia aos teus cabelos por entre meus dedos; você dentro do meu abraço; o cheiro de café perfumando o nosso ar. As promessas de que a partir dali tudo seria perfeito.


Alegre, cantando, sorrindo, não me importando com nada que pudesse me fazer mal.

Tudo corria bem até que o velho carma do outono, próximo ao 10 de junho de tantos anos atrás, voltou a acontecer.


Meu telefone tocou.
Eu atendi...
Me fodi...


Vai passar... Vai passar.